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9 de abril de 2014

Poesia…

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Não busques para lá.

O que é, és tu.  Está em ti. Em tudo.

A gota esteve na nuvem. Na seiva. No sangue. Na terra. E no rio que se abriu no mar. E no mar que se coalhou em mundo.

Tu tiveste um destino assim.

Faze-te à imagem do mar. Dá-te à sede das praias, Dá-te à boca azul do céu, Mas foge de novo à terra. Mas não toques nas estrelas.

Volve de novo a ti.

Retoma-te.

Cecília Meireles

11 de maio de 2013

Mãe…

Mãe... São três letras apenas
As desse nome bendito:
Também o Céu tem três letras...
E nelas cabe o infinito.
Para louvar nossa mãe,
Todo o bem que se disse
Nunca há de ser tão grande
Como o bem que ela nos quer...
Palavra tão pequenina,
Bem sabem os lábios meus
Que és do tamanho do Céu
E apenas menor que Deus!

Mário Quintana


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2 de março de 2013

… um pouco de poesia…

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Não tem mais lar o que mora em tudo.

Não há mais dádivas

Para o que não tem mãos.

Não há mundos nem caminhos

Para o que é maior que os caminhos

E os mundos.

Não há mais nada além de ti.

Porque dispersaste...

Circulas em todas as vidas

Pairas sobre todas as coisas

E todos te sentem

Sentem-te como a si mesmos

E não sabem falar de ti.

Cecília Meireles

10 de outubro de 2012

Poesia pra cada dia…

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Não digas onde acaba o dia. Onde começa a noite.

Não fales palavras vãs. As palavras do mundo.

Não digas onde começa a Terra, Onde termina o Céu.

Não digas até onde és tu. Não digas desde onde é Deus.

Não fales palavras vãs. Desfaze-te da vaidade triste de falar.

Pensa, completamente silencioso.

Até a glória de ficar silencioso, sem pensar.

Cecilia Meireles

30 de setembro de 2012

Poesia…

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Esse teu corpo é um fardo. É uma grande montanha abafando-te.

Não te deixando sentir o vento livre Do Infinito.

Quebra o teu corpo em cavernas Para dentro de ti rugir

A força livre do ar.

Destrói mais essa prisão de pedra.

Faze-te recepto. Âmbito. Espaço. Amplia-te.

Sê o grande sopro que circula...

Cecilia Meireles

 

Esta poesia traduz como me sinto, muitas vezes, em relação a esta tendinite…

Poesia…

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Adormece o teu corpo com a música da vida. Encanta-te. Esquece-te.

Tem por volúpia a dispersão. Não queiras ser tu.

Quere ser a alma infinita de tudo.

Troca o teu curto sonho humano Pelo sonho imortal.

O único.

Vence a miséria de ter medo. Troca-te pelo Desconhecido.

Não vês, então, que ele é maior? Não vês que ele és tu mesmo?

Tu que te esqueceste de ti?

Cecília Meireles

27 de setembro de 2012

Poesia…

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Ser poeta não é uma ambição minha.
É a minha maneira de estar sozinho.

Fernando Pessoa

9 de agosto de 2012

Um pouco de Clarice…

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"Faz de conta que ela amava e era amada, faz de conta que não precisava morrer de saudade, faz de conta que estava deitada na palma transparente da mão de Deus, faz de conta que vivia e que não estivesse morrendo pois viver afinal não passava de se aproximar cada vez mais da morte,faz de conta que ela fechasse os olhos e os seres amados surgissem quando abrisse os olhos úmidos da gratidão mais límpida, faz de conta que tudo o que tinha não era de faz-de-conta, faz de conta que ela não era lunar, faz de conta que ela não estava chorando."

Clarice lispector

Poesia…

Eros e Psique

Conta a lenda que dormia
Uma Princesa encantada
A quem só despertaria
Um Infante, que viria
De além do muro da estrada.
Ele tinha que, tentado,
Vencer o mal e o bem,
Antes que, já libertado,
Deixasse o caminho errado
Por o que à Princesa vem.
A Princesa Adormecida,
Se espera, dormindo espera,
Sonha em morte a sua vida,
E orna-lhe a fronte esquecida,
Verde, uma grinalda de hera.
Longe o Infante, esforçado,
Sem saber que intuito tem,
Rompe o caminho fadado,
Ele dela é ignorado,
Ela para ele é ninguém.
Mas cada um cumpre o Destino
Ela dormindo encantada,
Ele buscando-a sem tino
Pelo processo divino
Que faz existir a estrada.
E, se bem que seja obscuro
Tudo pela estrada fora,
E falso, ele vem seguro,
E vencendo estrada e muro,
Chega onde em sono ela mora.
E, inda tonto do que houvera,
À cabeça, em maresia,
Ergue a mão, e encontra hera,
E vê que ele mesmo era
A Princesa que dormia.

Fernando Pessoa

7 de agosto de 2012

Quando Eu…

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Quando eu não te tinha amava a Natureza como um monge calmo a Cristo.
Agora amo a Natureza como um monge calmo à Virgem Maria,
Religiosamente, a meu modo, como dantes, mas de outra maneira mais comovida e próxima ...
Vejo melhor os rios quando vou contigo pelos campos até à beira dos rios;
Sentado a teu lado reparando nas nuvens
Reparo nelas melhor —
Tu não me tiraste a Natureza ...
Tu mudaste a Natureza ...
Trouxeste-me a Natureza para o pé de mim,
Por tu existires vejo-a melhor, mas a mesma,
Por tu me amares, amo-a do mesmo modo, mas mais,
Por tu me escolheres para te ter e te amar, os meus olhos fitaram-na mais demoradamente
Sobre todas as cousas.
Não me arrependo do que fui outrora
Porque ainda o sou.

Alberto Caeiro

3 de julho de 2012

Pra vc:

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"Cada pessoa que passa em nossa vida, passa sozinha,
é porque cada pessoa é única e nenhuma substitui a outra.
Cada pessoa que passa em nossa vida passa sozinha, e não nos deixa só,
porque deixa um pouco de si e leva um pouquinho de nós.
Essa é a mais bela responsabilidade da vida e a prova
de que as pessoas não se encontram por acaso."

10 de maio de 2012

Rumi…

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Sê como o Sol para a Graça e a Piedade.
Sê como a noite para encobrir os defeitos alheios.
Sê como uma corrente de água para a generosidade.
Sê como a morte para o ódio e a ira.
Sê como a Terra para a modéstia.
Aparece tal como és.
Sê tal como pareces.

Se pudesses libertar-te, por uma vez, te ti mesmo,
o segredo dos segredos se abriria para ti.
O rosto do desconhecido, oculto além do universo,
apareceria no espelho da tua percepção.

Na realidade, tua alma e a minha são o mesmo.
Aparecemos e desaparecemos um com o outro.
Este é o verdadeiro significado das nossas relações.
Entre nós, já não há nem tu, nem eu.

O vale é diferente, acima das religiões e cultos.
Aqui, em silêncio, baixa a cabeça.
Funde-te na maravilha de Deus.
Aqui não há lugar para religiões nem cultos.

Há uma Alma dentro de tua Alma. Busca essa Alma.
Há uma jóia na montanha do corpo. Busca a mina desta jóia.
Oh, sufi, que passa!
Busca dentro, se podes, e não fora.

No amor, não há alto nem baixo,
má conduta nem boa,
nem dirigente, nem seguidor, nem devoto,
só há indiferença, tolerância e entrega.

Rumi

23 de abril de 2012

Soneto do amigo

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Enfim, depois de tanto erro passado
Tantas retaliações, tanto perigo
Eis que ressurge noutro o velho amigo
Nunca perdido, sempre reencontrado.
É bom sentá-lo novamente ao lado
Com olhos que contêm o olhar antigo
Sempre comigo um pouco atribulado
E como sempre singular comigo.
Um bicho igual a mim, simples e humano
Sabendo se mover e comover
E a disfarçar com o meu próprio engano.
O amigo: um ser que a vida não explica
Que só se vai ao ver outro nascer
E o espelho de minha alma multiplica...

(Vinicius de Moraes)

30 de novembro de 2011

Poema (Cazuza)

Eu hoje tive um pesadelo
E levantei atento, a tempo
Eu acordei com medo
E procurei no escuro
Alguém com o seu carinho
E lembrei de um tempo
Porque o passado me traz uma lembrança
Do tempo que eu era ainda criança
E o medo era motivo de choro
Desculpa pra um abraço ou consolo

Hoje eu acordei com medo
Mas não chorei, nem reclamei abrigo
Do escuro, eu via o infinito
Sem presente, passado ou futuro
Senti um abraço forte, já não era medo
Era uma coisa sua que ficou em mim
E que não tem fim

De repente, a gente vê que perdeu
Ou está perdendo alguma coisa
Morna e ingênua que vai ficando no caminho
Que é escuro e frio, mas também bonito porque é iluminado
Pela beleza do que aconteceu há minutos atrás…

10 de outubro de 2011

Lua adversa…

Tenho fases, como a lua
Fases de andar escondida,
fases de vir para a rua...
Perdição da minha vida!
Perdição da vida minha!
Tenho fases de ser tua,
tenho outras de ser sozinha.
Fases que vão e vêm,
no secreto calendário
que um astrólogo arbitrário
inventou para meu uso.
E roda a melancolia
seu interminável fuso!
Não me encontro com ninguém
(tenho fases como a lua...)
No dia de alguém ser meu
não é dia de eu ser sua...
E, quando chega esse dia,
o outro desapareceu...

Cecília Meireles

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26 de setembro de 2011

Homenagem que recebi do Saulo…

Momentos da Thais Adriana:

Há longos cinco anos atrás,
O doutorado deu a partida.
Provou agora que é capaz,
Depois da Tese defendida!
Desfruta a felicidade na gratidão
Dizendo que a Tese é nossa!
Próprio de um nobre coração
Que a yoga-união endossa!
Trilhamos com você lado a lado,
Este caminho Yoga Sagrado.
Assistimos a Yogui percorrer
Esta boa jornada do saber.
Momentos de sabedoria e conhecimento,
De orientação, de respeito e esperança,
Momentos de sufoco e de alento,
Paciência, tolerância, de confiança...
Viveu desde a alegria à tristeza.
Coragem, e as vezes até o medo,
Mas deixou um rastro de beleza.
De muita cor escreveu seu enredo!
Você teve dúvida, mas teve a certeza
Que enfrentaria o medo com coragem.
Remou com força a correnteza
Da Ganga em alta voltagem!
Testemunhamos o seu sorriso,
Consolamos seu salgado pranto!
Os sustos não davam aviso
Mas não sucumbiu no espanto!
Tens espírito magnânimo:
Experimentou forte cansaço,
O amargo do desânimo
E forjou-se como o aço!
Sabes o que é a Fé e Entrega,
Mesmo nas doloridas decepções.
Muito auto-esforço carrega.
Por isso vive muitas realizações!
Decisões erradas e as certas!
Tudo vem agora como reprise:
Quantas importantes descobertas
Após a euforia ou em plena crise!
Momentos da fiel disciplina,
Solitude e força de vontade.
No forró dança como bailarina!
Não perdeu nenhuma oportunidade!
Viajou, namorou, curtiu festas...
Terminou relacionamentos...
Pediu desculpas, aparou arestas,
Deu à amizades fortalecimentos...
Encontros e desencontros viveu!
Saudades na doída ausência...
Quanta lágrima escorreu...
Caminho de rica experiência!
Amigos para toda ocasião!
Para os desabafos aliviantes,
Para as desculpas de coração,
Mais amigos que antes!
Entre empenhos, faltas e deslizes,
Sopas, enfermidades e cura,
Pelo seu triunfo estamos felizes!
De seu sucesso nunca tivemos receio!
Sempre mostrou sua Alma pura!
No Yoga sempre no caminho do meio!

Saulo Lalli

 

Acesse o link, clicando aqui: http://www.recantodasletras.com.br/visualizar.php?idt=3155769

4 de dezembro de 2010




A saudade é a nossa alma dizendo para onde ela quer voltar.


Rubem Alves

9 de novembro de 2010

Lá bem no alto do décimo segundo andar do Ano
Vive uma louca chamada Esperança
E ela pensa que quando todas as sirenas
Todas as buzinas
Todos os reco-recos tocarem
Atira-se
E— ó delicioso vôo!
Ela será encontrada miraculosamente incólume na calçada,
Outra vez criança...E em torno dela indagará o povo:
— Como é teu nome, meninazinha de olhos verdes?
E ela lhes dirá(
É preciso dizer-lhes tudo de novo!)
Ela lhes dirá bem devagarinho, para que não esqueçam:
— O meu nome é ES-PE-RAN-ÇA...

Mário Quintana

27 de outubro de 2010

"Ela acredita em anjos,
e porque acreditava,
eles existiam!"
Clarice Lispector

20 de outubro de 2010



Que minha solidão me sirva de companhia.
que eu tenha a coragem de me enfrentar.
que eu saiba ficar com o nada
e mesmo assim me sentir
como se estivesse plena de tudo.

Clarice Lispector