5 de maio de 2009

...
Desde que voltei ao Brasil que quero escrever aqui, mas fui adiando, embora tenha muita coisa pra dizer...
Fiquei através dos nossos poetas, tentando expressar um pouco do que sinto, vejo e vivo!
A viagem á India acabou há quase 3 meses, mas a viagem interna continua de forma muito intensa.
Tenho passado momentos de rejeição e de readaptação.
Depois de tudo que vivi na India, venho sofrendo e me sentindo perdida aqui no nosso Brasil.
Alguns amigos, que compartilharam o primeiro mês comigo na India, disseram que também sentiram isso quando voltaram, apesar de terem passado só um mês lá, imagina eu depois de quase 6 meses??? ...
Mas como superar isso? Como seguir adiante? Como explicar o que estou sentindo se nem mesma entendo o que é!?!?
...
Hoje, por acaso, entrei no blog de um brasileiro que conheci no meu ultimo dia em Rishkesh.
Li um relato lindo dele, intitulado "A volta dos que não foram"! Dizia ele que o eu que partiu não é o mesmo Eu que retornou! Isso explica muito!
Explica o sentimento de inadequação, a estranheza, a dor, a angustia de querer me encaixar num espaço anterioremente ocupado por mim, mas que agora precisa alojar outro ser!
Não cabe, não acomoda, incomoda...
Muitos amigos querem ver as fotos e querem que eu fale sobre a viagem,..., e me sinto estranha em relação a isso, porque enquanto estava na India eu queria muuuito dividir o que estava vivendo (foi com esta intenção que resolvi escrever este blog) e agora que voltei, é como se não eu quisesse falar, como se isso me causasse alguma espécie de incomodo, não sei explicar... mas não tenho muito vontade de falar sobre o assunto.
Voltar ao Brasil:
Energeticamente senti uma diferença muito grande, só mesmo de aterrizar em São Paulo. De qualquer forma cheguei disposta a manter minha prática e a disciplina desenvolvida na India apesar das diferenças, o que consegui fazer inicialmente, mas aos poucos fui flexibilizando a prática, a disciplina, e por conta de outros compromissos do dia a dia acabei me afastando daquilo que inicialmente planejei cumprir.
Aqui tudo continua bem parecido com o que era antes de eu partir: mesmos encantos e desencantos. O Gabriel (brasileiro do blog que eu falei acima) diz que tudo continua o mesmo, mas que ele mudou e daí viria todo sentimento de estranheza.
NO meu caso esse Eu que voltou bem diferente, quando foi já estava diferente também, já sentia que Ele era maior do que ele conseguia ser aqui no Brasil e Ele se fez presente lá na India, inteiro, pleno, em paz... mas e aqui?! Por que tanta dificuldade de Ser!??
NO Brasil vieram os reencontros com amigos, família, alunos, pessoas que amo e as quais eu estava com muuuuita saudade. :)
O estranho é que a medida que fui (vou) reencontrando-os, sinto que vou Me perdendo, como se a India fosse ficando distante; ... e ao mesmo tempo sinto que ela me chama de novo para ela.
NO momento estou nessa erupção de sentimentos e sensações, os quais não consigo entender ou explicar, mas apenas vivo de forma intensa. Tento Me(re) construir, Me (re) encontrar , Me amar e (re)encontrar a paz que já existe em Mim.
Namaste
Thais

5 comentários:

Léo Personal disse...

Olá Thais!

Muito interessante suas palavras, e a cada dia começo a ver mais pessoas se sentindo "inadequadas" em nosso meio. Pessoas que estão nessa trilha espiritualista, buscando uma conecção com seu Eu-Divino, buscando ser pessoas melhores, e querendo contato com outras pessoas que estejam na mesma "frequência", mas o que elas relatam e eu também sinto, é muitas vezes lhes falta esse contato, um meio de encontrar pessoas que realmente estejam dispostos a se interiorizar, se conheçer melhor, e a partir disso, tentar ser uma pessoa melhor para si mesmo e para quem os cerca.

Bom vejo isso com um olhar positivo, no sentido que a cada dia mais pessoas se sentem assim, é sinal que pelo menos estas estão começando a ser "tocadas" por este lado espiritualista, que é muito mais comum no mundo oriental.

Muitas vezes me sinto mal também, quando vejo os amigos e amigas, só querendo ir para baladas, beber, "curtir", enquanto eu quero algo mais tranquilo, ir para o meio de uma mata, me conectar ocm a natureza, tomar um baho de cachoeira.... é triste vermos nosso potencial e o dos outros, e não podermos desenvolver isso de uma maneira mais positiva.

Bom mas vamos lá, mais pessoas como você precisam dar esse passo, se abrirem, para que outros possam começar a seguir a mesma trila, e assim vá se formando uma grande "familia", com homens e mulheres, buscando o mesmo objetivo, ou seja, serem pessoas melhores e contribuirem na melhora do mundo como um todo.

Parabens pela sua siceridade, e muita força para ti!
Beijos
Léo

Eliane disse...

Querida Thaís,
Se ti serve de consolo, eu nem fui prá India e me sinto assim...
Deve haver um Sentido Maior para tudo isso...
Nada é por acaso, Ele sabe porque temos que estar assim.
Você não está só!
Beijos no fundo do seu coração!
Eli

Marilena disse...

Querida Thais,

Faço minhas as suas palavras. Eu tenho me sentido assim desde que voltei da nossa viagem à Índia também. Estranha. Sem vontade de falar sobre a experiência. Buscando outros olhares, novas tribos e lugares. Sensação de não pertencimento total. Analiso tudo isso como parte de uma jornada que iniciei há muito tempo atrás e que está prestes a se definir. A viagem à Índia só fez adiantá-la talvez em alguns anos, pois aquele lugar tem o poder de nos re-conectar com lugares muito íntimos e desconhecidos de nosso ser mais profundo. Parece que são retiradas camadas e mais camadas - como descascar cebola - que nos vão desnudando e, ainda tímidos com essa nudez, tentamos nos esconder, recolher, recompor, para, quem sabe um dia, ressurgir. Mas tenho certeza de que essa reentrè na vida se fará de maneira diferente. Mais calma. Sem pressa. Com passos lentos e estudados, sem apertar sequer uma folhinha da grama sob nossos pés. Não é à toa que todos os que vão à Índia dizem que não voltaram os mesmos. Deixa-se lá nossos medos e máscaras.Não estás só, minha querida. "Este é um caminho sem volta", é o que tenho dito a quem diz que estou diferente. É só o que sei. Beijão, Marilena

Rodrigo Duarte (Rishih) disse...

Querida amiga... Há quanto tempo não nos vemos... O seu texto me toca muito! Também me senti assim ao voltar da nossa tão amada Mãe Bharata. Tudo isso é assim porque ainda continuamos buscando fora o que deveríamos estar buscando dentro. Muito embora nós já saibamos que é dentro o lugar, ainda assim a busca continua fora. Pois se realmente buscarmos dentro significará que a busca acabou, pois se está dentro, então... buscar o que e onde? As angústias continuam sempre na mente. Quem sabe se adentrarmos sensitivamente mesmo ao nosso corpo, às nossas células, possamos começar a vislumbrar a realidade. Mas não se frustre, amiga! Estar no caminho, nesse caminho "que não é um caminho", que já É SER, é ser vitorioso e é certo que vamos viver plenamente nossos potenciais!
Com carinho,
Seu amigo
Rodrigo Duarte

Saulo disse...

Thaís, querida, não importa o tempo que já faz que escreveu isso. A mesma sensação que descreve eu tive, por isso me inspirou o poema Exílio, onde quando estava partindo da Índia de volta ao Brasil sentia-me um exilado no Brasil. Como se o meu lugar fosse na Índia. Vindo ao encontro do que o amigo Rodrigo disse, estamos condicionado a associar um estado que vivemos ao local a que nos encontramos. Isso é normal dentro de Maya. Não importa as pedras que escolhemos para nos apoiarmos na escalada do Pico mais alto que é o despertar da consciência... a escalada, o caminho é o importante aqui e agora. Namastê